O colchão que me deixou sem coluna

Assim é se atender só em clínicas particulares.

Escrito y actualizado por

5 minutos de lectura·20 de junio 2026
Radiografía de columna

Uma crise diferente

Faz anos que convivo com um velho conhecido: a dor lombar. Nada dramático. De vez em quando aparece uma crise, tomo anti-inflamatórios uns dias e volto à minha vida normal. Suponho que sejam as consequências de uma combinação pouco recomendável: artes marciais, alguma queda mal dada e quarenta anos de existência.

Por isso, quando começou a doer desta vez, não me preocupei muito. Além disso eu tinha um suspeito perfeito: a bicicleta. Sempre foi uma relação complicada; gosto dela, mas já sabia que às vezes me cobrava a fatura. Então fiz o que faria qualquer especialista formado na Universidade do Google. Me autoconsultei: "É a bicicleta! Caso encerrado! Um par de naproxenos e volto a ficar como novo."

Uma semana depois seguia igual. Duas semanas depois estava pior. E depois veio a crise. Não aquela onde dói um pouco ao levantar: falo daquela que te olha nos olhos e diz "até aqui chegamos".

O verdadeiro culpado

Cortei a bicicleta, abandonei temporariamente os esportes e dormi no chão alguns dias. E então apareceu o verdadeiro culpado: o colchão. Um de espuma desses modernos que prometem te abraçar enquanto você dorme. A verdade, as primeiras duas semanas foram espetaculares, eu dormia como um rei. O problema é que minhas costas não queriam ser abraçadas: queriam suporte, queriam molas, queriam exatamente o colchão ortopédico que eu tinha usado durante anos.

Pulando a burocracia

A essa altura eu tinha algo claro: não ia começar o percurso tradicional. Já tinha feito antes —clínico geral, ortopedista geral, radiografia, mais naproxeno, esperar—. Desta vez queria ir direto ao problema.

Então abri o Google Maps e comecei a ligar para clínicas particulares, uma por uma. "Têm especialista em coluna?" "Não." "Têm especialista em coluna?" "Não." Até que encontrei uma. "Quando tem horário?" "Temos horário livre em 7 dias." "Perfeito. Pode agendar."

Não sabia se aceitavam Itapema Saúde, não sabia quanto acabaria gastando, e sinceramente não me importava muito. Quando a dor chega a certo ponto, o tempo vale mais que o dinheiro.

O especialista

Um especialista te atendendo sem rodeios

A consulta foi como eu imaginava. "Mexe assim, dói?" "Sim." "Agora assim, dói?" "Sim." "É a região lombar." Comentei que normalmente dói para baixo e desta vez era para cima. "Também pode acontecer. A tomografia vai nos dizer mais." Nada mágico, nada misterioso: um especialista que via esses casos todos os dias, e isso já dava tranquilidade.

A tomografia: na velocidade da luz

A tomografia fiz na RSUL. Era sexta-feira e consegui horário para segunda. Algo que ainda me surpreende na região é a velocidade com que você resolve certas coisas: a espera foi mínima.

O exame, voando. O que leva tempo são os resultados: quando fui buscá-los tinha mais gente e demoraram um pouco mais. Nada grave. Mas guarda também este detalhe, porque é justo onde eu pisei na bola.

A reconsulta: aqui está a armadilha

Com os resultados na mão apareceu um pensamento muito perigoso: "para que voltar?". Já tinha lido a internet, já tinha consultado o ChatGPT, já tinha identificado o culpado, já sabia que tinha que trocar o colchão. Nesses momentos todos nos transformamos um pouco em médicos, mecânicos e especialistas financeiros. Não faça isso. Não seja como eu.

Aqui vem o que você de verdade tem que entender do sistema. Eu esperei ter o exame na mão para reagendar a reconsulta. Erro. Quando liguei, o horário mais próximo era para uns 15 dias depois… e caiu um par de dias fora do prazo da reconsulta. Resultado? A reconsulta deixou de ser reconsulta: foi uma consulta nova, e paguei de novo.

E repara que estranho: a primeira consulta me deram em 7 dias; a segunda, em 15. Por que tão diferente? Não sei. Esse é justamente o ponto: nas clínicas particulares não há uma regra uniforme. Algumas têm reconsulta, outras não, e os tempos variam de uma para outra.

Estão sendo desonestos?

Não acredito. É estranho que os tempos de espera sejam tão diferentes, sim, mas prefiro não acusar ninguém. No que realmente falhei fui eu: esperei ter o exame na mão para reagendar porque não conhecia o sistema, e por isso paguei a reconsulta.

Agora que sei que os exames saem na velocidade da luz, a jogada é outra: saindo do médico, agendo a reconsulta na hora. "Me agende para daqui a 10 dias", ou menos. No meu caso teria bastado "me agende para a próxima semana", e o exame chegaria de sobra antes.

Então, o que acontece se você se atende só em clínicas particulares?

Que é excelente para resolver rápido —você encontra o especialista que realmente precisa e agenda em uma semana. Tenta fazer isso com o seu plano de saúde! Em Londrina, com plano e hospitais maiores, teria me custado muito mais tempo resolver, enquanto eu morria de dor e me automedicava na marra—, mas você tem que conhecer as regras. Pagar tudo avulso, sem entender os prazos de reconsulta, fica caríssimo por erros bobos como o meu.

O final feliz, mesmo assim, existiu: o especialista revisou os resultados e riu quando perguntei se os esportes tinham acabado. "Que isso? Vai pra Pilates, leva estas indicações pro professor, troca o colchão, e em uns meses você está fazendo esporte de novo." Tinha razão. Continuo no Pilates e não penso em largar. O que eu mais precisava não era um remédio: era tranquilidade, saber que não estava quebrado. Embora, para completar, os remédios que ele me receitou foram muito mais amáveis com meu estômago e funcionam cem vezes melhor que o naproxeno que eu tomava na marra.

Se quiser ver como tudo isso se encaixa no panorama completo, siga por como escolher seu plano de saúde.